Incentivos fiscais "criam mais emprego do que estágios"

  

 

Os investigadores Delfim Torres e Aníbal Galindro  2

Conclusão é apontada por investigação do Departamento de Matemática da Universidade de Aveiro.

Os estágios profissionais são uma boa ferramenta para incentivar a criação de emprego? De acordo com a investigação da UA, em períodos de elevado desemprego, "a resposta é clara: não!". "Em contextos onde o desemprego é elevado, os estágios profissionais devem não só ser reduzidos como, até, eliminados", acrescentam.

A conclusão é de um grupo de matemáticos da Universidade de Aveiro (UA) que sugere que a chave para a criação de emprego deve passar pelo investimento em medidas indiretas de combate ao desemprego, como os incentivos fiscais.

Estas são algumas das conclusões alcançadas por Aníbal Galindro durante o Mestrado em Matemática e Aplicações da UA com a tese intitulada “A simple mathematical model for unemployment: a case study in Portugal with optimal control”.

Com orientação de Delfim Torres, investigador do Departamento de Matemática da UA, e tendo como referência o modelo matemático para o desemprego criado em 2016 pelos investigadores indianos Surekha Munoli e Shankrevva Gani, o estudante desenvolveu uma nova ferramenta.

O modelo de Aníbal Galindro “descreve com qualidade a realidade do mercado do emprego em Portugal e que, através da utilização de duas ferramentas de controle (estágios e medidas indiretas como incentivos fiscais), consegue estipular qual o melhor mecanismo para diminuir o nível de desemprego no período estudado”.

“Através da teoria do controlo ótimo constatamos que a oferta de estágios deve ser reduzida em períodos de maior desemprego ou mesmo eliminada, isto porque dada a maior quantidade de desempregados as pessoas estão mais recetivas a aceitar salários menores (desvalorização da mão-de- obra) pelo que o Estado neste cenário pode estar a fornecer mão-de- obra (com maior carga financeira inerente) que na prática já seria absorvida pelas empresas pelo seu baixo custo”, explica Aníbal Galindro.