Faz uma pose que eu gosto

  

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Jared e o irmão Shannon não esquecem que foi aqui, em Portugal, que esgotaram pela primeira vez uma arena. «Fizeram-nos acreditar que era possível realizar os nossos sonhos», confessou o vocalista dos Thirty Seconds to Mars neste regresso à Altice Arena.

Então, a sala do Parque das Nações respondia por outro nome e o culto em torno da banda era maior, há que admitir. A própria banda, famosa pela pujança das suas atuações ao vivo, era maior e não apenas reduzida aos manos Leto, ao vivo reforçados por um guitarrista. Na noite de quarta-feira, a segunda de duas datas consecutivas nacionais, o espaço com 20 anos de espetáculos não teve sequer perto de esgotar. O palco estava bastante chegado para a frente, nos balcões havia muitos lugares avulso e na plateia, cortada por uma divisória com bilhetes gold, havia manchas de vazio e impessoalidade. Mas os que foram, não se cansaram de pular e gritar e cantar ao som dos hinos rock dos Thirty Seconds to Mars, daquela forma «tão apaixonada, típica dos portugueses, que os torna o melhor público do mundo, como comentaria em Walk on Water o ator oscarizado. 

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Na bagagem o coletivo trazia o novo álbum 'America', por coincidência apresentado ao vivo por cá em Braga, no 17º aniversário do 11 de setembro, uma data que é uma ferida no País que inspirou esse trabalho discográfico. Mas Jared evocou também os grandes singles do passado e trouxe uma mão cheia de momentos inesperados aos milhares de fãs que não deram descanso aos seus smartphones nem um segundo durante o show.

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Primeiro foi uma "chuva" de bolas gigantes, lançadas do fosso por pessoas do público convidadas antes do início do espetáculo pela produção. Depois foi «a grande surpresa» de convidar «o herói local» Diogo Piçarra – «Diego» + apelido impronunciável, para citarmos Leto – para subir ao palco e cantar o refrão de 'Rescue'. Lá em cima, num concurso improvisado de dançarinos roubados à plateia, também já estavam duas raparigas e a amiga chorosa que não fora inicialmente escolhida, o rapaz com uma tshirt de uma caveira e crista e um outro que, foi-se a ver, tinha as letras dos Thirty Seconds tatuadas no tronco. «Já ganhou», brincou o vocalista. Também no final, dezenas de fãs foram convidados a partilhar o palco com a banda, e vieram também os donos dos bilhetes ultra-mega-vip, uma tendência de consumismo dos tempos modernos. E juntos cantaram Closer to the Edge. «Oh, oh, oh, oh» foi, de resto, o refrão que mais se ouviu ao longo da noite. Serve para todas as ocasiões, é fácil de decorar e puxa ao sentimento, assim sendo fórmula mais vencedora não haverá.

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No alinhamento, houve tempo para a gravação de um teledisco ao vivo, para uma constelação de luzes em City of Angels e para uma versão acústica de 'Remedy', com Shannon a trocar a bateria pelo microfone e o mano a perder peças de roupa nos bastidores. Calma, só despiu o robe japonês de diva e antes tinha tirado os óculos escuros. Do corpo de adónis quarentão que fez um pacto com o Diabo e teima em não envelhecer, só deu mesmo para vislumbrar aquilo que o decote da camisa roxa aberto até ao umbigo deixou ver. A questão é que Jared não precisa de se expor para cativar. Ator com um ego do tamanho do mundo, assim obriga a profissão, ele não consegue esconder o prazer que tem em ser visto e adorado. "Strike a pose", cantava Madonna. Com Leto nem é preciso pedir.

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(Fotos de Nuno Andrade)